Impressões da cidade histórica de Rio Pardo
Rio Pardo fica distante 140 km de Porto Alegre; no censo de 2000, realizado pelo IBGE, foram contados 37.778 habitantes, dos quais 11.742 (31,1%) residiam na área rural. No contexto do Rio Grande do Sul, ainda constitui um município com área territorial grande: 2.133 Km2; seu Produto Interno Bruto (PIB) perfaz cerca de US$ 111 milhões; e seu "PIB per capita", cerca de US$ 2.941,00 (abaixo da média do Estado, que perfaz cerca de US$ 5.300,00).
Quando se chega perto de Rio Pardo, na ponte sobre o Rio Jacuí, avista-se a cidade (ao longe) esparramada sobre uma colina, em que se destacam as torres da sua Igreja Matriz, construída no distante ano de 1779. A cidade foi fundada na mesma época que Porto Alegre, Triunfo e a vila de Santo Amaro, que também ficam sobre elevações, junto ao Rio Jacuí. Naqueles tempos, o Rio Jacuí cumpria importante função de comunicação da capital com o interior do Estado; os rios exerciam função semelhante que as artérias num corpo humano.
A natureza foi pródiga com a cidade, aquinhoando-a com uma geografia ímpar, principalmente na área junto ao antigo forte, de onde se avista o Rio Jacuí e grande planície adiante, na direção de Pantano Grande.
A cidade possui dezenas de prédios e objetos de grande valor histórico, principalmente para o Estado do Rio Grande do Sul; perfila-se junto a outras monumentais cidades históricas, como Rio Grande, Triunfo, Vila de Santo Amaro, Piratini e São Miguel das Missões.
Recentemente, alguns prédios começaram a ser reformados; quando a cidade possuir mais prédios reformados, de cores diferentes, e tiver mais cafés, restaurantes e museus, poderia constituir um arquivo aberto para a pesquisa de estudantes e outros milhares de visitantes. Ali os alunos poderiam ter contato com uma história viva; ver como uma rua era calçada; verificar os costumes e valores das famílias, bem como da sociedade ao redor. Compreendendo o passado, tem-se muito mais sensibilidade para projetar o futuro.
Várias iniciativas estão em andamento; todavia, muito precisa ser feito; para atrair mais turistas, um longo trabalho de educação ainda deve ser feito (principalmente ao longo das rodovias de acesso, em que os restaurantes e banheiros precisarão ser muito mais cuidados); os turistas exigem limpeza e cuidados máximos, como vários empreendimentos já fazem na cidade. Novos hotéis e novos motivos precisam ser criados, para trazer mais vezes e manter mais tempo turistas na cidade. Seria interessante pintar os prédios com as mais diferentes cores; explicar suas origens (com placas indicativas), suas funções e modos de funcionamento; e colocar placas indicativas nas ruas, para orientar mais facilmente os turistas.
O grande valor da cidade é sua história; para tanto, seu conjunto arquitetônico deveria ser mantido harmônico. Cada prédio histórico derrubado joga no lixo do tempo um pedaço da própria história. Por isso, o plano diretor deveria prever o tombamento de ruas e prédios, principalmente dos mais significativos para a cidade e Estado; e deveria evitar remoções e inclusões de prédios, que possam significar rupturas em relação à harmonia do conjunto (como faz um grande prédio em construção, na entrada secundária para o centro da cidade).
A geografia da cidade, seus prédios históricos, tudo parece falar de um saudoso passado. Todavia, melhor que isso é a impressão deixada por seu povo, que aparenta ser simples, respeitoso, esforçado e acolhedor. Nossa rápida passagem pela cidade foi curta demais para curtir adequadamente pequena parte da sua riqueza histórica. Todavia, podemos escrever a respeito do que vimos, e assegurar aos incrédulos ("tiaguistas") que, efetivamente, Rio Pardo se alinha dentre as mais bonitas e significativas cidades do Rio Grande do Sul, que vale a pena conhecer.