Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul (RS) é o Estado mais meridional do Brasil; está situado na fronteira com o Uruguai e a Argentina (mapa do mundo), possuindo em 2010 o total  de 10,7 milhões de habitantes, e um Produto Interno Bruto (PIB), em 2011, de R$ 273,9 bilhões (cerca de U$ 134 bilhões). Possui quatro grandes regiões: 

a) a região metropolitana de Porto Alegre, voltada à produção de bens como calçados, petroquímica, componentes e montagem de carros e computadores; produtos de borracha e metal; assim como serviços, principalmente na área da informática, da saúde, do turismo e da educação; e também produção de aves e fumo; abrange cerca de 40% da população do Estado, e produz cerca de 50% do seu PIB; dentre as suas cidades próximas mais representativas, citam-se, além de Porto Alegre: Canoas, Novo Hamburgo, Gravataí, Cachoerinha e São Leopoldo; mas também, de forma menos próxima, as cidades de Lajeado e Santa Cruz do Sul;

b) região da serra gaúcha, voltada à produção de aves; de móveis, malhas, equipamentos de cozinha, uvas e vinhos, maçãs, ônibus e caminhões, cutelaria; assim como serviços, principalmente o turismo; abrange cerca de 15% da sua população e 25% do seu PIB; dentre as suas cidades mais representativas e conhecidas, citam-se: Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Flores da Cunha, Gramado e Canela;

c) região do "noroeste colonial", voltada à produção de milho, soja, leite, frutas e outros produtos coloniais; bem como industriais, principalmente máquinas e equipamentos agrícolas, ônibus; detém cerca de 20% da população do Estado e 10% do seu PIB; dentre suas cidades mais representativas e conhecidas, citam-se: Passo Fundo, Carazinho, Cruz Alta, Erechim, Ijuí, Panambi, Santo Ângelo, Santa Rosa, Três Passos e Horizontina;  

d) região da campanha (também denominada "metade sul do Estado"), mais voltada à pecuária extensiva e produção de arroz em larga escala; bem como produção naval e serviços; detém cerca de 25% da população do Estado e 15% do seu PIB; dentre as suas cidades mais conhecidas e representativas, citam-se: Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, Bagé, São Gabriel, Alegrete, Uruguaiana e Santana do Livramento.

As pessoas naturais ou residentes no RS são chamadas de "gaúchos"; originam-se de uma mescla de povos. Aos nativos, juntaram-se depois múltiplas outras etnias de colonizadores, como portugueses, espanhóis, africanos, alemães, italianos, poloneses, russos, ucranianos, judeus e outros, que vieram colonizar esta terra.

O RS foi um dos últimos Estados a fazer parte do Brasil; o Tratado de Madri, acertado entre Espanha e Portugal em 1750, cumpriu importante papel para a definição das fronteiras do Estado. Das sucessivas guerras de fronteira, o povo "gaúcho" criou uma personalidade forte e distintiva. O Estado envolveu-se em várias guerras, como a Guaranítica, no século XVIII; dos Farrapos, entre 1835 e 1845; Revolução Federalista, logo após 1890; e a Revolução de 1930, que levou o conterrâneo Getúlio Vargas ao poder por mais de uma década.

O Estado se destaca entre os demais Estados brasileiros, estando entre os de melhor Índice de Desenvolvimento Humano, pela Organização das Nações Unidas (ONU); menor índice de analfabetismo, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e população mais longeva do Brasil, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os costumes da sua gente, o clima da terra, a mistura de raças, e outros fatores, fizeram esse povo ser saudável, culto e trabalhador, que respeita e cultiva suas tradições e origens.

A capital do Estado destaca-se pela qualidade das suas Universidades (UFRGS e PUCRGS, bem como campi da UNISINOS e ULBRA), de serviços oferecidos na área da saúde e informática, e de bens produzidos. Ao seu redor, estão instaladas indústrias como a General Motors e Dell Computers, e um Pólo Petroquímico altamente competitivo no cenário da América  Latina.  Em Porto Alegre, situa-se a matriz do Grupo Gerdau, que é uma das maiores e mais admiradas multinacionais do Brasil. 

Esta parte do Estado começou a ser efetivamente ocupada a partir de 1737, quando Portugal fazia manobras de ocupação da área, disputada com a Espanha. Na época, a região do Rio do Prata, mais ao sul, era considerada de grande importância estratégica. Por isso, Portugal tratou de ocupar pontos estratégicos, como aqueles que hoje constituem as cidades de Rio Grande, Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha e vila de Santo Amaro. Esta ocupação foi feita inicialmente com colonos açorianos (da ilha portuguesa de Açores); a disputa territorial foi ajustada por sucessivas escaramuças, guerras e tratados, principalmente o Tratado de Madri, de 1750. Mais tarde, após a independência do Brasil em 1822, com a chegada da família imperial, da qual fazia parte a imperatriz Leopoldina, de origem alemã, o Brasil tratou de ocupar a região ao redor da capital Porto Alegre com colonos alemães. Fundaram povoações que atualmente constituem cidades como São Leopoldo, Novo Hamburgo, Lajeado, Estrela, Santa Cruz do Sul e muitas outras, de modo geral situadas em vales e planícies, ao "pé da serra gaúcha", que constitui uma parte da extensa serra geral, que abrange boa parte da costa leste do país.

A serra gaúcha, um pouco mais adiante e ao norte da planície ao "pé da serra", foi, depois,  intensamente ocupada por colonos italianos, vindos do norte da Itália, a partir de 1870, fundando colônias que vieram a ser importantes e dinâmicas cidades atuais: Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias do Sul (a quarta colônia foi constituída no centro do Estado, ao redor da cidade universitária de Santa Maria, que atualmente constitui o município de Silveira Martins). Nesta região da serra gaúcha, encontram-se empresas altamente desenvolvidas, que exportam produtos para dezenas de países, como a Tramontina, Marcopolo, Randon, Agrale, A. Guerra, Caminhões International, Vinícola Aurora, Vinícola Salton, Móveis Florense, Móveis Todeschini, Móveis Carraro, Mundial, Lojas Colombo e outras. A região possui cerca de 1 milhão de habitantes, com cidades muito prósperas, como a líder Caxias do Sul (também conhecida como "Turim do Brasil"), Bento Gonçalves, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi e outras. Em Antônio Prado, é possível voltar no tempo, e verificar como era a vila no final do século XIX; Veranópolis é a cidade da longevidade, porque possui o melhor índice de expectativa de vida do Brasil. Existem, ainda, cidades turísticas encantadoras, como Gramado e Canela, que fazem parte da lista de mais bonitas do Brasil. E logo adiante, nos chamados "campos de cima da serra", encontram-se paisagens de indescritível beleza: são os cânions de Aparados da Serra, em que os verdes campos são "rasgados" com fencas enormes, contendo até mais de 30km de extensão e profundidades superiores a 700 metros, ligando bruscamente a serra ao mar próximo.

O sul do Rio Grande do Sul, que recorta o Estado numa linha imaginária que vai de Guaíba até São Borja (mais especificamente: Garruchos), é constituído de extensos campos, em planícies sem fim. Já produzia, nos bons tempos do final do século XIX, mais de 50% da riqueza do Estado; todavia, com sua vocação voltada para a pecuária e grandes latifúndios, foi perdendo fôlego para outras áreas mais intensivamente ocupadas e voltadas para a indústria e comércio de produtos e serviços. Na ponta leste, na desembocadura da Lagoa dos Patos (maior lagoa doce do mundo, cujo conjunto forma mais de 13 mil km2 de extensão), situa-se Rio Grande, fundada por portugueses em 1737, que visavam constituir um ponto de ligação, de defesa e de apoio ao povoado de Colônia do Sacramento, que atualmente constitui a cidade de Colônia, no Uruguai, e que fica a 60 km a oeste da capital Montevidéu. A noroeste dali, não muito distante, fica Pelotas, que na época áurea das "charqueadas" (no final do século XIX) chegou a rivalizar em riqueza com a capital Porto Alegre. No centro do Estado, fica a cidade universitária de Santa Maria; e na outra ponta, na chamada fronteira oeste, na divisa do Estado com a Argentina, a cidade de Uruguaiana. Outras cidades importantes desta "metade sul" do Estado são Bagé, Santana do Livramento, São Gabriel, Alegrete e São Borja (também chamada de "terra dos marechais", por sua importância na geração de líderes nacionais como Getúlio Vargas e João Goulart).  

A região noroeste do RS constitui, em termos geográficos, um extenso planalto, que se inclina, num plano, para o Rio Uruguai, que recorta o Estado ao norte e ao oeste, na fronteira com a Argentina. Antes do Tratado de Madri, pertencia à Espanha; a região das missões foi ocupada inicialmente (a partir do século XVII) por missões jesuíticas, que fundaram povoados indígenas bastante desenvolvidos para a época, que justamente foram motivo de cobiça e de deflagração de guerra entre "bandeirantes" e índios, chamada de guerra  guaranítica, que aniquilou a civilização construída. Resquícios dessas missões podem ser encontrados na região da atual cidade de Santo Ângelo, principalmente nas ruínas de São Miguel das Missões, que constituem patrimônio da humanidade. No final do século passado, quase toda região era extensa mata, ocupada por indígenas guaranis remanescentes. Com a ocupação das terras ao redor de Porto Alegre e de Caxias do Sul, os descendentes de colonos alemães e italianos tiveram que migrar em busca de novas áreas, fundando sucessivas "novas colônias"; desta forma, como num avanço de nuvens, foram ocupando áreas mais ao oeste do Estado, até a fronteira na Argentina. Inicialmente foram ocupadas regiões que vieram constituir cidades como Passo Fundo, Carazinho, Cruz Alta, Erechim, Ijuí, Frederico Westphalen, Santa Rosa, Três Passos e muitas outras.  Com o esgotamento dessas áreas, os migrantes passaram a ocupar a região oeste de Santa Catarina, depois Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Maranhão, e outros Estados. Também migraram para o Paraguai, assim como, mais recentemente, para a Bahia e outros Estados do norte e nordeste do Brasil. Nessas andanças, sempre fizeram e fazem questão de manter raízes com a cultura e os costumes do RS, expressos na linguagem, na criação de CTGs (Centros de Tradição Gaúcha), churrascarias, uso de linguajar e roupas típicas, posse de folclore variado, prática de "danças tradicionais gaúchas" e, principalmente, no hábito de "tomar chimarrão" (chá de erva-mate, sorvido de uma cuia, de modo geral numa roda de conversas). Desse costume, nasce a percepção de que "onde tem alguém tomando chimarrão, também tem um gaúcho". Regiões como o oeste do Estado de Santa Catarina cultuam a tradição gaúcha de forma até mais intensa que muitas regiões do próprio Estado do RS. Existem teses acadêmicas que defendem ser a cultura gaúcha uma das mais características e espalhadas no mundo. Há centenas de CTGs localizados fora do Estado do RS, e mais de duas dezenas em outros países, inclusive em cidades como Boston (EUA) e Tóquio (Japão). 

O RS é formado por 497 municípios. Perfazem cerca de 8,8% do total do Brasil. Possui cerca de 10,7 milhões de habitantes, que perfazem cerca de 5,6% do total do país. A taxa de crescimento demográfico do RS é de 0,49% a.a. A área do Estado, de 282 mil km2, equivale a 3,2% da área total do Brasil. E seus R$ 273,9 bilhões de PIB equivalem a cerca de 6,6% do PIB nacional.

Seus 10 maiores municípios, em termos de população (ano de 2010), são os seguintes:

Ordem

 de População

              Nome do Município                

População em 2010

1

Porto Alegre

1.409.939

2

Caxias do Sul

435.482

3

Pelotas

327.778

4

Canoas

324.025

5

Santa Maria

241.032

6

Gravataí

240.340

7

Viamão

227.873

8

Novo Hamburgo

206.459

9

São Leopoldo

190.359

10

Rio Grande

183.517

Seus 10 maiores municípios, em termos de PIB (ano de 2009), são os seguintes:

Ordem

 de População

              Nome do Município                

PIB em 2009

(U$ mil)

1

Porto Alegre

37.787.913

2

Canoas

16.526.989

3

Caxias do Sul

12.509.582

4

Rio Grande

6.280.858

5

Gravataí

5.628.743

6

Triunfo

5.378.395

7

Novo Hamburgo

4.499.416

8

Santa Cruz do Sul

4.378.957

9

Pelotas

3.847.928

10

Passo Fundo

3.728.978

Outros dados dos municípios do RS podem ser encontrados nos endereços do IBGE, bem como no site Terragaúcha.

Vale a pena, ainda, conferir outros sites diversos, contendo informações variadas sobre os municípios e o Estado do RS, indicados na seção da "câmera 3" desse site WCAMS.

 

Luis Roque Klering (26/07/2012)