IMAGENS DE 01 a 17/11/2002 :

Porto Alegre-RS:

48a. Feira do Livro:

A Feira do Livro tornou-se o evento mais popular da capital gaúcha; recebe mais de um milhão de visitantes, principalmente de escritores, professores, estudantes e acadêmicos, intelectuais, profissionais liberais, crianças, idosos, curiosos e  pessoas em geral, que nesses dias tomam contato com os livros e tudo mais que se relaciona;  sempre ocorre nesta época do ano, entre o final de outubro e meados de novembro, na época da floração dos jacarandás (de flores azuis) e dos guapuruvus (de flores amarelas); em Porto Alegre já se sabe: quando os jacarandás florecem, então a época da Feira do Livro está chegando. 

Esta feira tão popular ocupa o espaço mais central e "democrático" da cidade, que não faz distinção de classe econômica, credo, profissão, raça ou qualquer outra categoria que se possa imaginar; todos são bem recebidos, e podem "folhear" livremente seus livros,  nas dezenas de barracas armadas de forma organizada em meio a árvores, jardins, ruas e prédios.  

Bem  antigamente, a área desta praça constituía um desembarcadouro, e a cidade travou históricas batalhas para mantê-la e até ampliá-la. Seu nome original era "Praça da Quitanda", depois "Senador Florêncio", e finalmente também "Praça da Alfândega", pela função que exerceu durante longo período, de porta de acesso para o "mundo da cidade" e, também (obviamente),  de "alfândega", cujo prédio ficava no meio da praça, recebendo os turistas e viajantes que desembarcavam do atracadouro do rio (ou melhor, lago!) Guaíba. Com a construção do porto de Porto Alegre, pelos idos de 1912 (que chegou a ser a maior obra civil do Brasil), a principal entrada para a cidade recebeu uma valorização e tratamento paisagístico incomum; implantou-se, então, uma larga avenida com palmeiras, da praça até o porto (que recebeu o nome de Avenida Sepúlveda), e em cada lado foram construídos dois majestosos prédios, que figuram até hoje entre os mais expressivos do patrimônio arquitetônico da cidade: a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional (atual MARGS) e os Correios e Telégrafos (atual Memorial do RS). 

Ano após ano, a Feira adquire significado mais expressivo, e crescente afluxo de pessoas, que percorrem os corredores das barracas para assimilar um pouco do seu espírito ou cultura. A Feira incorporou uma magia difícil de interpretar e expressar. Por isso mesmo também mantém uma "liturgia" toda especial, do primeiro ao último dia; a sineta de inauguração, as barracas que precisam ter alguns anos de uso, os saldos de livros em que se acha de tudo, os palhaços para entreter a criançada, os corredores cheios de gente, os livros folheados inúmeras vezes para eventualmente algum ser comprado, o burburinho da praça da alimentação e, também, o ar cultural do "bistrô" do Margs, em que acadêmicos de verdade e outros "de mentira" assumem ares de intelectuais, e se misturam nesse mundo do "faz de conta", mas que não deixa de ser fulgurante e fantástico, que somente poucas cidades como Porto Alegre são capazes de produzir.

 Ultimamente, a praça recebeu apoiadores de peso: as exposições do MARGS, do Memorial do RS  e do Santander Cultural, todas visitadas por milhares de pessoas, e inúmeras delegações de escolas. As exposições do MARGS e do Santander Cultural foram notáveis. No Margs, foi apresentada uma amostra de 175 peças do museu francês Petit Palais, denominada Paris 1900, porque abarca obras do período de 1880 a 1914, anos que marcaram o auge da belle époque na França. Constituiu o período mais cintilante de Paris, quando a cidade estava se modernizando com as reformas implementadas pelo barão de Haussmann, como a abertura dos grandes boulevares,  a eletrificação das luminárias públicas, da inauguração da Torre Eiffel (em 1889) e da criação do metrô (em 1900). Renoir, Cézanne, Toulouse-Lautrec, Rodin, Vuillard, Bonnard, Moreau, Redon, Chabine e Nadar são alguns dos mestres que estavam presentes na exposição. Dentre as obras, destaque para o retrato da atriz Sarah Bernhardt, pintado em 1876 por Georges Clairin, e da pintura de "Ofélia". No Santander Cultural, que provavelmente constitua o prédio mais bonito, majestoso e ilustrativo de Porto Alegre, continua em exposição até o dia 05/01/2003 uma expressiva e intrigante mostra de artes intitulada "Paixão e Violência". Com a Feira do Livro, o espaço junto à Praça da Alfândega começa a mostrar sua verdadeira vocação: de centro cultural do sul do Brasil. Quando a obra dedicada a Érico Veríssimo estiver concluída, a cidade reunirá condições para mostrar sua verdadeira identidade: de centro acadêmico, cultural e tecnológico do sul do Brasil. E certamente acolherá crescentes torrentes de turistas, não apenas de cidades do RS, mas do Brasil e do mundo, porque o legado de pessoas como Mário Quintana, Érico Veríssimo, Theodor Wiederspahn, Aldo Locatelli e vários outros é simplesmente fantástico.  

Veja algumas imagens da feira desse ano: 

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 =>   Veja, também, como foi a 47a. Feira do Livro,  de 2001

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