IMAGENS DE 21/04/2001

SÃO VENDELINO-RS: 

Esse pequeno município emancipou-se de Bom Princípio em 1988;  auto-denomina-se "Pequeno Paraíso".  Disputa com Bom Princípio (seu "município-mãe") e Tupandi ("município-gêmeo") o título de mais alfabetizado do Brasil.  Situa-se no sopé da serra gaúcha, e constituía a última colônia alemã; a partir de 1875, imigrantes italianos começaram a colonizar áreas mais íngremes, morros acima, que atualmente constituem os municípios de Carlos Barbosa, Garibaldi, Bento Gonçalves, Farroupilha, Caxias do Sul e outros.  Os antepassados dos vendelinenses provieram principalmente da região alemã  de "Sankt Wendel";  falavam o dialeto franco-alemão, praticado ainda atualmente em muitas famílias das suas localidades, conhecidos por nomes como Vale Suíço, Linha Francesa e outros; falavam o alemão, mas de fato eram originários de áreas que hoje pertencem à Suíça, Holanda, da própria Alemanha principalmente,  e de outros países;  vieram colonizar esta área do arroio Forromeco pelos idos de 1855, subindo pela linha São Leopoldo-São José do Hortêncio-Bom Princípio.  Ainda existem casas originais, geralmente construídas em duas partes: uma cozinha e quartos de dormir; a separação era feita para evitar incêndios.  Perto da área central, ainda existe uma preciosidade: uma cervejaria, construída em 1866, que pertencia a Nicolaus Neis. Na época, na falta de geladeiras, a cerveja era fabricada em casas frescas e ventiladas, que eram meio-enterradas no chão. 

No município, ocorreu uma das histórias mais marcantes da época de colonização alemã, que foi o rapto da família de Lamberto Versteg,  por índios caingangues, que fugiram em direção do "Campo dos bugres" (área em que se situa atualmente a cidade de Caxias do Sul), cuja história ficou conhecida pelo título de "As vítimas do Bugre", ocorrida em 1868; o livro foi escrito em 1924 pelo cônego Matias José Gansweidt, a partir de depoimentos do próprio Lamberto, e conterrâneos seus. Em 1996, várias centenas de descendentes da família se reuniram na localidade de Desvio Blauth, em Carlos Barbosa-RS,  e depois na sede em São Vendelino, vindos de vários Estados do Brasil, bem como de outros países próximos, para onde migraram. O maior número de descendentes de Lamberto Versteg estaria vivendo em Arabutã, no Estado de Santa Catarina.

No capítulo IV do livro, o autor relata que "cada vez mais se povoa o vale do Forromeco. Choças e casas, rodeadas de viçosos plantios, surgem em todos os quadrantes e recantos. Os produtos da terra sobem em número e qualidade, para o maior gáudio geral. O comércio avulta. Sinal evidente de que os colonos levam de vencida a natureza; já podem encarar confiantes o futuro. Em 1864, constróem nestas paragens a primeira capela, de madeira. Dedicada a São Vendelino, santo que os colonos cultuam aqui, como na antiga pátria. Serve para os ofícios divinos e de aula para os coloninhos...".

Em janeiro de 1868, Lamberto empreendeu uma rápida viagem para São Sebastião do Caí, para visitar um amigo e participar dos festejos ("Kerb") na Capela de São Luiz, em Bela Vista, do atual município de Bom Princípio-RS.  Nesse ínterim, sua mulher e seus dois filhos foram raptados por indígenas, que acampavam no sopé do Morro Canastra (a partir do qual se avista a região de São Vendelino, e bem ao longe a própria região de Porto Alegre).  Em socorro, os colonos bateram os sinos da capela naquela madrugada, e reuniram 26 homens para irem ao encalço dos indígenas, que se dirigiram na direção do Campo dos Bugres (atual cidade de Caxias do Sul); a expedição foi até lá, onde não os encontraram; os indígenas teriam ido mais adiante, até a região do atual município de São Marcos; vários anos mais tarde, já tendo completado 18 anos, o filho Jacó conseguiu fugir das matas para uma fazenda no interior de São Marcos.  Da mulher Valfrida e da filha Lucila não se teve mais notícias.

A seguir, mostram-se imagens do "pequeno paraíso": 

a) sede:  123456789101112131415 

b) efeitos de erosão causada por forte chuva na noite do Natal de 2000:  1234

c) antiga "cervejaria":  123

d) casa com mais de 140 anos:  1234

Veja, também, breve documentário da 7a. Kerbfest, realizada em outubro de 2001, clicando aqui.