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Fonte: Jornal Saarbrücker Zeitung Número 234 de 9.10.2003, Página B1 (St. Wendeler Zeitung)

Um pedaço do futuro fica na América do Sul

Delegação Oficial de St. Wendel viaja segunda (14/10/2003) para a cidade brasileira (São Vendelino-RS) a fim de firmar acordo de cidades co-irmãs

AXEL GRYSCZYK

A saudação a St. Wendel, na primeira Festa da Cidade de São Vendelino, foi comemorada com duas bandeiras, de St. Wendel e São Vendelino, hasteadas lado a lado. Foto: Particular

 St. Wendel. Se Christina Holz, de Novo Hamburgo, não tivesse iniciado a procura por seus antepassados em 1991, a delegação oficial de St. Wendeler não estaria chegando em São Vendelino na próxima segunda-feira. Naquele ano, a jovem de 27 anos chegou em Hasborn com suas pesquisas e conheceu seu primo em terceiro grau Klaus Lauck. Lauck impressionou-se com a história dos imigrantes de Saarland, achou-os simpatizantes e fundou o Círculo de Amizade Teuto-brasileiro. O mais importante achado localiza-se a 95 quilômetros da capital do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, e tem somente 1.800 habitantes. É a cidade de São Vendelino.

90% dos habitantes de São Vendelino são descendentes de imigrantes alemães. Muitos descendem da região de St. Wendel. Por causa disso, a cidadezinha leva o nome de São Vendelino desde 1877. Günter Jung, um dos pioneiros no Brasil, afirmou em entrevista: "Eu recepcionei no ano de 1991, como primeiro adjunto da cidade de St. Wendel, o prefeito de São Vendelino, Jair Baumgratz. Paralelamente às funções de prefeito, ele tinha uma fábrica de sapatos. Por isso, ele trouxe um par de sapatos que serviram perfeitamente.” Foram esses pequenos gestos que intensificaram os contatos. Visitas e amizades se intensificaram. Assim, em 2001 um time de futebol completo visitou Oberthal. Na viagem de volta, os brasileiros levaram livros escolares usados para a América do Sul. “A idéia de um acordo de cidades co-irmãs nasceu dessa forma, nos anos 90. Entretanto, os avanços adormeceram,” citou Jung.

Isso mudou com Regis Fritzen. O novo prefeito de São Vendelino visitou St. Wendel por ocasião da Festa da Cidade em 2001.  "Não houve nenhuma recepção oficial. No final, o prefeito Bouilion demonstrou seu dotes enológicos e houve muita comida e bebida. Juntamente com a mesa farta foram traçados planos”, diz Jung. O resultado: A Câmara de Vereadores de St. Wendel decidiu firmar um acordo oficial de cidades co-irmãs com a pequena cidade sul-americana. Na próxima quarta (dia 15/10/2003), a delegação oficial de St. Wendel com o representante da União Crista Democrática (CDU), Guido Biesemann, com os representantes da cidade, Günter Jung, e Jürgen Zimmer, do Partido Social Democrata Alemão (SPD), chegam em São Vendelino para oficializar o acordo.

Levar um pedaço da pátria

Klaus Lauck explica o atrativo do acordo: "Os habitantes de Saarland, que imigraram para São Vendelino no final do século XIX, não precisaram se adaptar. Para onde eles foram não havia nada”. Assim eles adaptaram tudo da antiga pátria: seu dialeto, seu próprio jornal, sua escola e suas festas. Jürgen Zimmer, o motor e presidente do Círculo de Amizade Teuto-brasileiro, afirma: "Quando se pergunta à juventude de São Vendelino qual a sua nacionalidade, eles respondem que são teuto-brasileiros. Existe raízes comuns e tradição familiar e acima de tudo uma profunda saudade de contato”. Günter Jung define a relação como sendo de duas cidades gêmeas e não simplesmente co-irmãs.

Mas as cidades gêmeas ficam há 12000 quilômetros de distância uma da outra. Para Jürgen Zimmer, não existe motivo para essa cooperação adormecer. “É importante que possamos extender essa cooperação a uma base bem vasta“. Por isso o Círculo de Amizade Teuto-brasileiro organiza viagens à América do Sul e com isso são organizados também programas de intercâmbio. “Importante para nós é que os esforços não seguem somente de um lado só”, diz Zimmer. Com isso a associação quer oportunizar possibilidades de firmas alemãs de investirem em São Vendelino. “Uma firma de St. Wendel está disposta a construir uma fábrica em São Vendelino”,  afirma Zimmer, acrescentando que esse serviço deverá ser oferecido não somente a firmas de St. Wendel, mas de toda a Alemanha. Assim St. Wendel deverá tornar-se um centro de intercâmbio econômico com o sul do Brasil e fortalecer ainda mais os laços. Jung finaliza: ”pelos laços afetivos  São Vendelino fica na esquina”.